Fiscais da CMTT voltaram a multar veículos na cidade e ignoram as irregularidades nos ônibus da Taguatur que trafegam pelo município sem condições de “rodar”

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Após o desbloqueio do convênio municipal com o órgão estadual de trânsito e a retomada da aplicação de multas, motoristas de Santo Antônio do Descoberto relatam uma mudança imediata na rotina das ruas: aumento das abordagens, autuações e até recolhimento de veículos — principalmente de trabalhadores.

Agentes de trânsito municipais, conhecidos popularmente como “amarelinhos”, voltaram às ruas com operações frequentes, agora também acompanhadas pelo uso do etilômetro. A medida, em tese, tem como finalidade reforçar a segurança viária e combater infrações. Porém, a forma como vem sendo executada passou a gerar questionamentos entre moradores.

ABORDAGEM DIRECIONADA

Condutores ouvidos pela reportagem afirmam que as fiscalizações têm se concentrado em motociclistas, entregadores e trabalhadores que dependem do veículo para exercer atividade profissional. Segundo relatos, as abordagens ocorrem sem campanhas educativas prévias, sem orientação preventiva e, em alguns casos, culminam na remoção imediata do veículo.

A legislação de trânsito brasileira prevê caráter pedagógico da fiscalização, especialmente após mudanças operacionais ou retomada de convênios administrativos. No entanto, moradores alegam não terem sido informados previamente sobre blitz educativas ou período de adaptação.

ÔNIBUS SEGUEM SEM FISCALIZAÇÃO?

Enquanto isso, passageiros e motoristas apontam uma situação oposta em relação aos ônibus do transporte coletivo intermunicipal operados pela empresa Taguatur, que circulam diariamente dentro do município.

Entre as reclamações recorrentes registradas pela população estão:

  • paradas fora de pontos
  • embarque e desembarque em locais proibidos
  • circulação em vias estreitas
  • manobras em áreas residenciais
  • bloqueio parcial de ruas

Apesar das queixas, moradores afirmam não presenciar abordagens ou autuações aos coletivos dentro da área urbana, o que levanta dúvidas sobre eventual seletividade na fiscalização.

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

Especialistas em mobilidade urbana ouvidos pela reportagem explicam que a fiscalização de trânsito deve obedecer ao princípio da isonomia: todos os veículos, públicos ou privados, devem estar sujeitos às mesmas regras.

Quando a atuação estatal incide predominantemente sobre determinado grupo — especialmente trabalhadores — e deixa de alcançar veículos de maior impacto viário, cria-se percepção social de desigualdade na aplicação da lei.

ENTRE SEGURANÇA E ARRECADAÇÃO

Moradores não contestam a necessidade de fiscalização. O questionamento, segundo eles, é a forma e a prioridade.

“Educar primeiro, multar depois”, resume um comerciante abordado durante operação recente.

A população também cobra transparência: quais critérios definem os pontos de blitz? Há fiscalização efetiva do transporte coletivo? Existe planejamento viário ou apenas retomada de arrecadação após o desbloqueio do convênio?

ESPAÇO ABERTO

A reportagem permanece aberta para manifestação da Prefeitura, da CMTT e da empresa responsável pelo transporte coletivo, caso desejem apresentar esclarecimentos, dados de autuações ou planejamento das ações educativas.

O espaço segue garantido para o contraditório e atualização das informações.

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