Mobilização nacional dos médicos do Mais Médicos pressiona Ministério da Saúde por valorização, isonomia e diálogo

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Por Dr Gabriel de Angelis

Uma movimentação interna de alcance nacional vem ganhando força entre médicos do Programa Mais Médicos, articulada pelo presidente nacional da categoria e por lideranças regionais, com apoio de representantes de sindicatos médicos de diversos estados. A pauta é clara: melhoria das condições de trabalho, valorização profissional e correção de distorções que, segundo a categoria, vêm se acumulando ao longo dos últimos anos e gerando desgaste crescente entre os profissionais que sustentam a Atenção Primária no país.

As lideranças reconhecem que o programa foi — e segue sendo — fundamental para o avanço do Brasil, sobretudo na ampliação do acesso à saúde em regiões vulneráveis. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já destacou, em diferentes momentos, a importância estratégica do Mais Médicos para o SUS. No entanto, os representantes afirmam que, a partir do momento em que o programa foi criado, também se consolidou uma categoria específica de trabalhadores que precisa ser ouvida de forma estruturada e permanente.

Desgaste da categoria e falhas de gestão local

Entre os principais pontos de insatisfação está a falta de compromisso com estudantes e trabalhadores vinculados ao programa, situação que, segundo os médicos, vem se agravando. A categoria denuncia ainda a ausência de cobrança efetiva do Ministério da Saúde sobre gestores municipais quanto ao pagamento da bolsa local, o que gera atrasos, insegurança financeira e desigualdade entre profissionais que exercem as mesmas funções.

O estopim mais recente da mobilização foi a divulgação, pelo Ministério da Saúde, da lista de municípios que receberão indenizações, com variações e percentuais distintos conforme a região. Para os médicos, a medida institucionalizou a falta de isonomia, já que profissionais com o mesmo contrato, mesma carga horária e mesmas responsabilidades passam a receber valores diferentes apenas por decisão local.

Jornada de trabalho e reivindicação histórica

Outro ponto central da pauta é a carga horária. Atualmente, os médicos do programa cumprem 44 horas semanais, sendo esta, segundo as lideranças, a única categoria médica do país com essa exigência contratual. O movimento reivindica, no mínimo, a redução para 40 horas semanais, como previsto em fases anteriores do programa, sem prejuízo da assistência prestada à população.

“Não se nega o avanço que o Mais Médicos trouxe às regiões mais carentes. O que se pede é coerência e justiça com quem sustenta esse avanço na ponta”, afirmam representantes do movimento.

Formação, titulação e reconhecimento acadêmico

A mobilização também incorpora uma pauta acadêmica: a bonificação de pontuação para médicos do programa na prova de título em Medicina de Família e Comunidade. A categoria defende que quem atua no Mais Médicos cumpre rigorosamente exigências formativas, com especialização realizada em universidades federais, e, portanto, deveria ter pontuação adicional, a ser definida, como reconhecimento institucional da experiência adquirida.

A proposta inclui ainda que estudantes atualmente vinculados ao programa ingressem no processo de titulação com critérios diferenciados, valorizando a prática assistencial real na Atenção Primária.

Pressão política e possibilidade de paralisação

De acordo com as lideranças, entre 10 mil e 14 mil médicos já estão mobilizados em todo o país, articulando-se por meio de associações, sindicatos e representações regionais, com foco inclusive em direitos trabalhistas. O movimento reforça que o diálogo é o caminho prioritário, mas não descarta a possibilidade de greve, caso as pautas sigam sem resposta efetiva.

A cobrança se dirige diretamente ao Alexandre Padilha, atual Ministro da Saúde. As lideranças pedem que Padilha, médico de formação, se coloque no lugar de seus colegas e ajude a ajustar as pautas de forma gradual, responsável e negociada, garantindo a sustentabilidade do programa e a valorização de quem o executa.

“Sem médico valorizado, não há Atenção Primária forte. Sem Atenção Primária forte, não há SUS que se sustente”, resume um dos representantes nacionais do movimento.

A expectativa agora é que o Ministério da Saúde abra um canal institucional de diálogo com a categoria. Caso contrário, alertam os organizadores, a mobilização tende a se intensificar — com impactos que podem ultrapassar os bastidores e chegar às ruas.

“Em medicina e na política 2+2 nem sempre será 4”

Um comentário em "Mobilização nacional dos médicos do Mais Médicos pressiona Ministério da Saúde por valorização, isonomia e diálogo"

  1. E sem contar que esses médicos deveriam por lei após cumprir seus 4 anos receber ser CRM !!! Já que cumpriram todo esse tempo com suas funções sem gerar danos à população

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