Médicos do Mais Médicos se unem e criam Associação Nacional para exigir valorização da categoria

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Por Dr. Gabriel de Angelis

Brasília, 30 de dezembro de 2025 — Médicos do Programa Mais Médicos, espalhados por todo o território nacional, anunciaram na manhã desta segunda-feira (30) a criação da Associação Nacional dos Médicos do Mais Médicos (ANMMM). A iniciativa surge como resposta a uma série de insatisfações históricas da categoria, que aponta defasagem salarial, atrasos de repasses municipais e falta de diálogo com o Governo Federal.

A nova associação reúne grupos organizados em todos os estados brasileiros, com inúmeros representantes regionais, especialmente médicos que atuam na Atenção Primária à Saúde, em periferias urbanas, áreas remotas e territórios de alta vulnerabilidade social.

Bolsa defasada e atrasos comprometem permanência no programa

Segundo relatos dos profissionais, a bolsa mensal do Mais Médicos está defasada há vários anos, sem correção inflacionária compatível com o aumento do custo de vida. Além disso, médicos denunciam atrasos recorrentes no repasse financeiro que deveria ser garantido pelos municípios, situação que, em alguns casos, ultrapassa seis meses sem pagamento.

“Somos bolsistas e dependemos dessa remuneração municipal para custear moradia, alimentação e transporte nas cidades onde atuamos. Quando o município não cumpre, o médico fica totalmente vulnerável”, relatou um dos representantes da associação.

Falta de diálogo com o Governo Federal preocupa a categoria

Outro ponto central das críticas é a ausência de diálogo institucional com o poder público. A associação afirma que há meses tenta estabelecer contato com representantes do Ministério da Saúde e de outros órgãos federais, sem retorno efetivo.

O distanciamento causa estranheza entre os médicos, sobretudo pelo histórico do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reconhecido como um dos idealizadores do Programa Mais Médicos.

“É contraditório. O ministro é considerado o pai do programa, mas hoje não conseguimos sequer uma agenda para apresentar nossas demandas”, afirma a associação em nota.

Médicos pedem escuta da Atenção Primária

A entidade também cobra acesso direto à representação da Atenção Primária à Saúde no Ministério da Saúde, considerada estratégica para o avanço do programa. Segundo os médicos, são eles que estão diariamente nas periferias, comunidades rurais e regiões vulneráveis, tendo visão real da situação local.

“Somos a base do SUS. Estamos onde o sistema acontece de fato. Queremos ser ouvidos para construir soluções, não apenas cumprir escalas”, destacam.

Paralisação nacional entra em debate

Diante do cenário, parte dos médicos já discute a possibilidade de uma paralisação nacional do Programa Mais Médicos, como forma de pressionar o governo a abrir negociação sobre reajuste da bolsa, regularização dos repasses e novos benefícios. A associação afirma que a medida ainda está em debate interno, mas não descarta mobilizações maiores caso não haja resposta institucional.

Criação da associação é marco histórico

Para os organizadores, a criação da Associação Nacional representa um marco na história do programa.

“Foi necessário nos organizarmos para sermos ouvidos. A associação nasce para dar voz a quem sustenta a Atenção Primária no Brasil.”


“Em medicina e na politica 2+2 nem sempre são 4 “

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